O que acontece na borda de um buraco negro
O horizonte de eventos não é uma parede. É o ponto a partir do qual todos os caminhos levam ao centro.
Sagitário A*RA 17h45m · DEC −29°00′≈26 mil anos-luz
Um buraco negro é uma região onde tanta massa foi comprimida em tão pouco espaço que a curvatura do espaço-tempo se fecha sobre si mesma. A fronteira dessa região é o horizonte de eventos.
Não é uma superfície
Nada de físico marca o horizonte. Um astronauta que o atravessasse não sentiria um solavanco; ele apenas descobriria, tarde demais, que não existe mais nenhuma trajetória, nem mesmo a da luz, que leve para fora. Dentro do horizonte, o centro não é um lugar: é o futuro.
O tempo visto de fora
Para um observador distante, o astronauta parece desacelerar ao se aproximar do horizonte, sua luz fica cada vez mais vermelha e fraca, e ele nunca é visto atravessando. É um efeito da dilatação do tempo prevista pela relatividade geral, não uma ilusão de ótica. Do ponto de vista do próprio astronauta, a travessia dura um instante.
A maré que estica
Em buracos negros pequenos, a diferença de gravidade entre os pés e a cabeça se torna tão grande antes do horizonte que o corpo é esticado no sentido do comprimento, o chamado efeito de espaguetificação. Em buracos negros supermassivos, como Sagitário A*, no centro da Via Láctea, o horizonte é tão largo que a travessia seria, a princípio, suave.
O que ninguém sabe
A relatividade geral prevê uma singularidade no centro, onde a densidade seria infinita. A maioria dos físicos entende isso como o limite da teoria, não como uma descrição da realidade. Resolver o que há lá dentro exige unir gravidade e mecânica quântica, e essa teoria ainda não existe.
