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Curiosidade

O que acontece na borda de um buraco negro

O horizonte de eventos não é uma parede. É o ponto a partir do qual todos os caminhos levam ao centro.

Por Miranda2 min de leituraExemplo

Sagitário A*RA 17h45m · DEC −29°00′≈26 mil anos-luz

Representação do horizonte de eventos e distorção gravitacional de um buraco negro
Event Horizon Telescope Collaboration

Um buraco negro é uma região onde tanta massa foi comprimida em tão pouco espaço que a curvatura do espaço-tempo se fecha sobre si mesma. A fronteira dessa região é o horizonte de eventos.

Não é uma superfície

Nada de físico marca o horizonte. Um astronauta que o atravessasse não sentiria um solavanco; ele apenas descobriria, tarde demais, que não existe mais nenhuma trajetória, nem mesmo a da luz, que leve para fora. Dentro do horizonte, o centro não é um lugar: é o futuro.

O tempo visto de fora

Para um observador distante, o astronauta parece desacelerar ao se aproximar do horizonte, sua luz fica cada vez mais vermelha e fraca, e ele nunca é visto atravessando. É um efeito da dilatação do tempo prevista pela relatividade geral, não uma ilusão de ótica. Do ponto de vista do próprio astronauta, a travessia dura um instante.

A maré que estica

Em buracos negros pequenos, a diferença de gravidade entre os pés e a cabeça se torna tão grande antes do horizonte que o corpo é esticado no sentido do comprimento, o chamado efeito de espaguetificação. Em buracos negros supermassivos, como Sagitário A*, no centro da Via Láctea, o horizonte é tão largo que a travessia seria, a princípio, suave.

O que ninguém sabe

A relatividade geral prevê uma singularidade no centro, onde a densidade seria infinita. A maioria dos físicos entende isso como o limite da teoria, não como uma descrição da realidade. Resolver o que há lá dentro exige unir gravidade e mecânica quântica, e essa teoria ainda não existe.

Fontes

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