O que o James Webb já mudou no que sabíamos sobre as primeiras galáxias
Galáxias maduras demais, cedo demais: o telescópio infravermelho encontrou objetos que os modelos não esperavam tão no início.
Campo GOODS-SulRA 03h32m · DEC −27°48′Missão JWST
O Telescópio Espacial James Webb foi construído para uma pergunta específica: como eram as primeiras galáxias? A resposta começou a chegar nos primeiros meses de operação, e não era a que a maior parte dos astrônomos esperava.
Por que o infravermelho importa
A luz das galáxias mais distantes viaja por mais de 13 bilhões de anos até nós. Nesse caminho, a expansão do universo estica cada onda de luz, empurrando o que era luz visível para o infravermelho. Telescópios ópticos, como o Hubble, simplesmente não enxergam boa parte desse sinal. O Webb, com espelhos resfriados e detectores infravermelhos, foi desenhado para isso.
O que apareceu nos dados
Em campos profundos como o GOODS-Sul, o Webb registrou candidatas a galáxias com desvio para o vermelho acima de 10, ou seja, vistas quando o universo tinha menos de 500 milhões de anos. Algumas delas parecem mais massivas e mais estruturadas do que os modelos de formação de galáxias previam para uma época tão inicial.
Isso não derruba o modelo cosmológico padrão, como chegou a circular. O que está em revisão é a eficiência com que o gás primordial virou estrelas nos primeiros bilhões de anos. As explicações em teste incluem formação estelar mais rápida do que a assumida, estimativas de massa infladas por estrelas muito jovens e brilhantes, e a contribuição de buracos negros em crescimento.
O que vem a seguir
Confirmar a distância dessas galáxias exige espectroscopia, que separa a luz em comprimentos de onda e mede o desvio para o vermelho com precisão. É um trabalho lento, que o Webb vem fazendo objeto por objeto. Cada confirmação aperta o cerco sobre quais modelos sobrevivem.
