A Nuvem de Oort: a fronteira invisível do Sistema Solar
Trilhões de corpos gelados numa casca tão distante que nenhuma sonda vai alcançá-la por séculos. Nunca vimos um deles no lugar.
Nuvem de Oort≈2 mil a 100 mil UA
Quando um cometa de período longo aparece, vindo de qualquer direção do céu e com órbitas que levam milhões de anos, ele traz uma informação: existe um reservatório de corpos gelados muito além dos planetas. Esse reservatório é a Nuvem de Oort.
Onde fica
As estimativas colocam sua borda interna a cerca de 2 mil unidades astronômicas do Sol (uma UA é a distância Terra-Sol) e a externa em torno de 100 mil UA, quase metade do caminho até a estrela mais próxima. As sondas Voyager, lançadas em 1977, levariam centenas de anos para chegar à borda interna e dezenas de milhares para atravessá-la.
Como se formou
Os corpos da nuvem provavelmente nasceram entre os planetas gigantes e foram lançados para longe pela gravidade de Júpiter e Saturno nos primeiros milhões de anos do Sistema Solar. Uma vez lá, a gravidade combinada da galáxia e de estrelas que passam perto embaralhou suas órbitas numa casca aproximadamente esférica.
Por que nunca vimos
A essa distância, um corpo de alguns quilômetros reflete tão pouca luz solar que nenhum telescópio atual o detecta. Tudo o que sabemos vem da estatística dos cometas que caem para o interior do sistema quando uma perturbação os empurra.
Por que importa
A Nuvem de Oort é o arquivo mais bem preservado do material original do Sistema Solar. E é dela que vêm os cometas de aparição única, os mais imprevisíveis e, ocasionalmente, os mais espetaculares do céu.
